Acordo de Não Persecução Penal (ANPP): O Que Fazer Quando o Ministério Público Nega Indevidamente
Dr Lucio Saldanha advogado criminalista. Whatsapp: 21971707069.
O Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) é um dos instrumentos mais relevantes do processo penal contemporâneo. Ele permite evitar o processo criminal, desde que o investigado cumpra condições legais.
Na prática, porém, é comum o Ministério Público negar o ANPP sem fundamentação adequada, mesmo quando o investigado preenche todos os requisitos legais.
Neste artigo, você vai entender quando o réu tem direito ao ANPP, quando a negativa é ilegal e como o advogado criminalista pode contestar a recusa.
O que é o Acordo de Não Persecução Penal?
O ANPP foi introduzido no Código de Processo Penal pelo art. 28-A, permitindo ao Ministério Público propor acordo antes do oferecimento da denúncia, desde que atendidos os requisitos legais.
O objetivo é:
evitar a instauração do processo penal;
reduzir a judicialização;
aplicar medidas proporcionais ao caso concreto;
preservar a liberdade do investigado.
Quais são os requisitos legais do ANPP?
O ANPP pode ser proposto quando:
✔ o crime não envolver violência ou grave ameaça
✔ a pena mínima cominada for inferior a 4 anos
✔ o investigado confessar formalmente o fato
✔ não houver reincidência em crime doloso (em regra)
✔ o acordo for necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime
📌 Preenchidos esses requisitos, o ANPP deve ser analisado de forma objetiva e fundamentada.
O ANPP é um direito do investigado?
O entendimento consolidado é que o ANPP não é um favor pessoal do Ministério Público, mas sim um direito subjetivo qualificado, quando presentes os requisitos legais.
Isso significa que:
o MP não pode negar de forma genérica;
a recusa deve ser fundamentada no caso concreto;
a decisão está sujeita a controle judicial.
Quando a negativa do ANPP é ilegal?
A negativa é indevida quando ocorre, por exemplo:
❌ recusa sem fundamentação concreta
❌ alegação genérica de “reprovabilidade da conduta”
❌ negativa baseada apenas na gravidade abstrata do crime
❌ desconsideração de bons antecedentes
❌ exigência de requisitos não previstos em lei
❌ recusa automática por política interna do órgão
📌 A discricionariedade do MP não é absoluta.
O juiz pode interferir na negativa do ANPP?
Sim. O controle judicial é plenamente possível.
Quando o MP nega o acordo sem fundamentação adequada, o juiz pode:
determinar a remessa ao Procurador-Geral de Justiça;
reconhecer a ilegalidade da recusa;
garantir a reapreciação do pedido;
impedir o prosseguimento da ação sem análise correta do ANPP.
E se a denúncia já tiver sido oferecida?
Mesmo após o oferecimento da denúncia, é possível:
alegar nulidade por ausência de análise do ANPP;
requerer a suspensão do processo;
pleitear o reconhecimento do direito ao acordo;
buscar o trancamento da ação em situações específicas.
📌 A jurisprudência admite o debate do ANPP mesmo em fases posteriores, quando houve omissão indevida.
Quais crimes mais geram ANPP negado indevidamente?
Na prática, é comum a recusa ilegal em casos como:
tráfico privilegiado (art. 33, §4º, da Lei de Drogas)
crimes patrimoniais sem violência
estelionato
receptação
crimes contra a administração sem violência
crimes ambientais
crimes tributários
Cada caso exige análise técnica individualizada.
A atuação do advogado criminalista no ANPP
O advogado é essencial para:
verificar se os requisitos legais estão preenchidos;
exigir fundamentação adequada da negativa;
provocar o controle judicial;
impedir o prosseguimento ilegal da ação penal;
buscar a solução menos gravosa ao investigado.
Muitos réus respondem a processos desnecessários simplesmente porque o ANPP não foi corretamente requerido ou impugnado.
Vantagens do ANPP para o investigado
✔ evita o processo criminal
✔ não gera condenação
✔ preserva a liberdade
✔ reduz exposição e desgaste
✔ permite solução mais rápida
✔ impede antecedentes penais condenatórios
FAQ – Perguntas Frequentes sobre ANPP
1. O ANPP é obrigatório quando preenchidos os requisitos?
Deve ser analisado de forma objetiva e fundamentada. A recusa genérica é ilegal.
2. O Ministério Público pode negar por política interna?
Não. A análise deve ser individualizada.
3. Preciso confessar para ter ANPP?
Sim, a confissão formal é requisito legal.
4. Reincidente pode ter ANPP?
Depende do caso. A reincidência não impede automaticamente.
5. O juiz pode conceder o ANPP diretamente?
Não, mas pode controlar a legalidade da negativa.
6. Posso pedir ANPP depois da denúncia?
Sim, quando houve omissão ou negativa ilegal.
7. O ANPP gera antecedentes criminais?
Não gera condenação penal.
8. Se eu descumprir o acordo, o que acontece?
O processo criminal pode ser retomado.
9. O advogado é obrigatório no ANPP?
Sim, a assistência de advogado é indispensável.
10. Vale a pena discutir ANPP negado?
Sim. Em muitos casos, evita um processo desnecessário.
Conclusão
O Acordo de Não Persecução Penal é um instrumento poderoso de proteção da liberdade.
Quando indevidamente negado, pode resultar em processos longos, desgastantes e totalmente evitáveis.
Se você está sendo investigado ou responde a processo penal e o ANPP foi negado ou sequer analisado, a atuação de um advogado criminalista especializado é fundamental para restabelecer a legalidade e evitar prejuízos irreversíveis.
👉 Procure orientação jurídica imediatamente para avaliar seu caso e definir a melhor estratégia defensiva.

